Geração Z busca empregos com bom salário, propósito e menos estresse
Conseguir um emprego que ofereça boa remuneração sem comprometer a saúde mental está entre os principais desejos profissionais da Geração Z. Ao mesmo tempo, muitos desses jovens também procuram atividades que tenham propósito e produzam algum impacto positivo na vida de outras pessoas.
A conclusão aparece em uma pesquisa da Gallup realizada em parceria com a Fundação da Família Walton e o projeto Making Caring Common, da Universidade de Harvard. O levantamento ouviu 2.436 jovens, com idades entre 13 e 28 anos, residentes nos Estados Unidos, em dezembro de 2025.
Segundo o estudo, quase 80% dos participantes demonstraram interesse em profissões que permitam ajudar outras pessoas. O resultado indica que, apesar da fama de priorizar apenas flexibilidade e qualidade de vida, grande parte dessa geração também deseja encontrar significado no trabalho.
A pesquisa identificou uma ligação importante entre propósito e bem-estar emocional. Entre os jovens que afirmaram querer causar um impacto positivo na vida de outras pessoas, 89% disseram sentir, total ou parcialmente, que a própria vida possui significado.
Para os pesquisadores, ajudar outras pessoas pode contribuir para a saúde mental, principalmente em uma geração que enfrenta sentimentos de solidão, ansiedade e falta de propósito. Atividades profissionais com impacto social podem oferecer uma sensação maior de pertencimento e utilidade.
Tecnologia e saúde mental dificultam busca por propósito
Apesar do desejo de construir uma vida significativa, os jovens relataram diferentes obstáculos. Mais da metade apontou o uso improdutivo da tecnologia como uma barreira para encontrar propósito.
O resultado chama a atenção porque a Geração Z cresceu cercada por celulares, redes sociais e outras ferramentas digitais. Embora reconheçam as vantagens da tecnologia, muitos jovens também percebem que o excesso de tempo diante das telas pode prejudicar relacionamentos, produtividade e bem-estar emocional.
Quase metade dos entrevistados afirmou enfrentar problemas relacionados à saúde mental. Outros 34% disseram que a falta de relações pessoais contribui para a sensação de viver sem um propósito claro.
Esses fatores mostram que o desejo de ajudar outras pessoas existe, mas pode ser enfraquecido pela solidão, pelo desgaste psicológico e pela dificuldade de criar conexões profundas fora do ambiente digital.
Salário e estresse pesam na escolha profissional
Embora demonstrem interesse por trabalhos ligados ao cuidado e ao apoio ao próximo, muitos jovens consideram que essas profissões oferecem salários baixos e uma carga emocional elevada.
Quase metade dos integrantes da Geração Z afirmou que as preocupações financeiras e com o próprio bem-estar poderiam afastá-los de carreiras voltadas a ajudar outras pessoas.
O conflito fica ainda mais evidente quando os jovens descrevem o emprego ideal. Metade dos entrevistados disse desejar, principalmente, uma atividade que pague o suficiente e não seja excessivamente estressante.
Na prática, profissões socialmente importantes, mas marcadas por remuneração baixa, jornadas pesadas e grande desgaste emocional, podem deixar de atrair esses profissionais. A vontade de realizar um trabalho significativo continua existindo, porém precisa estar acompanhada de condições financeiras e emocionais sustentáveis.
Pressão para ter sucesso aumenta o sofrimento
Mais da metade dos adultos da Geração Z declarou sentir estresse por causa da pressão para alcançar o sucesso. Essa sensação foi especialmente forte entre os participantes de 19 a 21 anos.
Além da cobrança para conquistar estabilidade financeira, muitos jovens sentem que precisam descobrir rapidamente uma carreira perfeita, encontrar um grande propósito e produzir resultados relevantes.
Essa combinação pode transformar a busca por significado em mais uma fonte de ansiedade. Para os especialistas envolvidos no estudo, ter um propósito pode beneficiar a saúde mental, mas a obrigação de encontrá-lo imediatamente também pode se tornar desgastante.
Dinheiro ainda influencia as decisões
Quando questionados sobre a possibilidade de trocar um emprego significativo por outro com salário maior, quase metade dos jovens afirmou que aceitaria a proposta mais bem remunerada.
O resultado não significa necessariamente falta de interesse por causas sociais. Ele mostra que contas, moradia, alimentação e estabilidade financeira continuam influenciando diretamente as escolhas profissionais.
Por outro lado, quando convidados a imaginar uma situação na qual o dinheiro não fosse um problema e já recebessem uma remuneração confortável, a maioria afirmou que permaneceria no trabalho atual.
Mais da metade também colocou a realização pessoal entre as três principais prioridades profissionais. Para 25% dos entrevistados, ajudar e cuidar de outras pessoas aparece como um objetivo relevante de carreira.
Empresas podem transformar propósito em diferencial
Os resultados representam uma oportunidade para empresas, escolas e recrutadores compreenderem melhor o que a nova geração espera do mercado de trabalho.
Organizações podem tornar suas vagas mais atraentes ao explicar como determinada função beneficia clientes, comunidades ou a sociedade. Informações sobre projetos sociais, programas de voluntariado e ações comunitárias também podem ser incluídas nos anúncios de emprego.
Entretanto, apresentar uma mensagem de propósito não é suficiente. Para conquistar e manter esses profissionais, as empresas também precisam oferecer remuneração compatível, ambiente saudável, equilíbrio entre vida pessoal e trabalho e apoio à saúde mental.
As instituições de ensino, por sua vez, podem criar programas que mostrem aos estudantes como diferentes carreiras contribuem para a sociedade. Isso ajudaria os jovens a perceber que o propósito não está restrito às profissões tradicionalmente associadas ao cuidado.
A pesquisa mostra que a Geração Z não rejeita o trabalho nem pensa somente em ganhar dinheiro. Esses jovens desejam construir uma carreira relevante, mas não querem pagar por isso com insegurança financeira, esgotamento ou adoecimento emocional.
O emprego mais atraente para essa geração é aquele capaz de reunir três elementos: remuneração justa, nível de estresse administrável e a percepção de que o trabalho realizado possui algum significado.
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Fonte: CNN
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